sexta-feira, 10 de junho de 2016

Um


Não é possível afastar os lábios afastar os corpos afastar a pele. Na casa dele há livros espalhados pelos cantos e papéis entre chávenas de café vazias e cinzas de cigarro. Ela despe-o lentamente, primeiro o casaco, depois a camisola, as meias, as calças, cuidadosamente desaperta-lhe as calças e deixa cair tudo o que resta. Ele despe-lhe o vestido e encontra-a completamente nua. Como se esperasse, estava nua por baixo do vestido. Ele avança sobre ela mas ela trava-o estendendo o braço para o peito dele. Os olhos dele confusos o corpo em tensão, confuso. Ela diz-lhe que espere. Ficariam ali a olhar-se durante minutos intermináveis. Sem se poderem tocar. Ele avança quase imperceptivelmente, como se pedisse autorização, e ela diz-lhe que espere. O peito dele desenha-se na sombra, o caminho que leva do peito até ao sexo, o sexo erecto, as pernas como mastros seguros, ela sente-lhe a respiração entrecortada, a tensão a aumentar segundo a segundo. Ele desenha-lhe a curva do pescoço, as clavículas, o peito, os mamilos erectos como o seu sexo, a linha que leva da barriga ao sexo negro, curvas contracurvas e linhas oblíquas. Seria insustentável o passar do tempo enquanto fosse apenas permitido observar-se mutuamente até ao limiar da loucura. Devagar ela avança. Ele quer tocar-lhe mas ela não permite. Com a boca desenha-lhe a curva do pescoço, a língua avança pelas linhas da clavícula, os ombros. Desenha-lhe as mãos e os braços trémulos, segue a linha que leva do peito ao sexo, ignora o sexo e a língua dela sobe dos joelhos trémulos às coxas, passeia-se por dentro das coxas, cada vez mais perto, em círculo, ele treme. Ela permite que as suas mãos se passeiem nos cabelos dela. Agarra-lhe os cabelos com mais força quando ela está cada vez mais perto. A língua dela chega ao sexo e ele suspira. Agarra-lhe os cabelos enquanto ela o lambe fervorosamente, a boca dela quente envolve-lhe o sexo inteiro, ela ajoelhada enquanto as mãos se passeiam pelas coxas e pelas nádegas e entre as pernas dele, enquanto o sexo dele, duro, pulsa dentro da boca dela. Ele agarra nela e atira-a para cima da cama e beija-a sofregamente, a língua dele pelo corpo todo dela, enquanto as mãos se passeiam pelo seu peito e pelas suas coxas, enquanto ela geme ele sussurra-lhe ao ouvido o que lhe vai fazer a seguir. Quero sentir a tua pele, as tuas mamas, de te agarrar, sentir o teu rabo, quero ver tudo, uno, a vibrar comigo. A língua dele no sexo dela, a provocar-lhe o sexo, alturas há em que ele se aproxima tanto sem se aproximar que ela consegue sentir o calor da boca dele e as ancas procuram-lhe a boca, mas ele não chega totalmente perto, alturas há em que ele a lambe toda de todas as formas. Ela pede-lhe que entre dentro dela. Ele nega-lhe enquanto continua a lambê-la, enquanto as suas mãos lhe passeiam o corpo inteiro. Ela pede uma e outra vez até que ele cede e aproxima o seu sexo ao dela. Continua a provocá-la, chegando perto e desistindo, enquanto agarra a mão dela para que se toque. Ela geme que ele entre dentro dela, implora que a penetre, enquanto ele entra ao de leve e desiste, até que de repente entra dentro dela inteiro, violentamente, sem apelo e não pára nunca mais. Gemem os dois, ela agarra-lhe os ombros, arranha-lhe as costas, enquanto ele lhe puxa os cabelos. Não serão capazes de parar, agora. Ela empurra-o e sobe para cima dele, cavalgando-o enquanto agarra as mãos dele para que segurem o seu peito. Puxa-o para si, envolvendo as pernas à volta da cintura dele, até se virem uma e outra vez. A madrugada corre veloz enquanto continuam a esgotar os corpos até não poderem mais.